Me lembro de pouco tempo atrás, quando acabei conhecendo mais um e mais outro garoto normal, com assuntos normais de pessoas da minha idade, algumas particularidades, mas poucas coisas em especial que fossem de um entendimento que se aproximasse do meu. Como sempre, parece que as pessoas ao meu redor analisam (se é que fazem isso) superficialmente demais as coisas que existem nesse mundo.
As pessoas não sabem mais entender uma letra de música, não por causa do entendimento falho de como interpretar o padrão frasal de uma poesia, mas por uma coisa mais básica ainda. Falta a elas entenderem os sentimentos que inspiram isso, ou, o significado que isso tem para elas mesmas. Mas elas nunca vão conseguir encontrar esses significados sem olhar para os detalhes que sempre deixam passar como superficiais, quando dão mais importância a coisas que na verdade são as que são sem importância.
As pessoas se destroem pensando em coisas que acham serem importantes, pra descobrir no fim de tudo, que aquilo nunca teve importância, mas, um momento que está distante demais para que possam alcançar o que é importante.
No fim das contas, não posso dizer que sou diferente de todas essas pessoas. Talvez, eu seja tão igual quanto, e isso de certa forma, é o que me faz parte da humanidade, por mais que as vezes eu queira fugir dessa realidade, eu não posso. Talvez porque, no dia em que eu conseguir, perceberei que tudo que eu queria estava aqui, o tempo todo.
As pessoas não conseguem parar no meio de um dia, sentar-se diante da cidade, olhar pro céu e ver a cabeça de um deus egípcio, ou a pata de um urso nas nuvens. Elas não conseguem enxergar o azul do céu, o brilho que as folhas da grama tem sob essa luz e a vida que isso transmite num simples olhar. Elas não conseguem ver os grãos de terra sob uma dessas folhinhas de grama, e ver uma formiga andando em círculos com sua quitina lustrosa. Elas não conseguem entender a beleza disso, e o quanto isso tem a ver com a vida humana.
E provavelmente, se alguém chegou até aqui e não conseguiu entender porque eu falei da formiga, então é porque é somente mais uma dessas pessoas de alma vazia que não deveria estar aqui, é somente mais uma dessas pessoas que perderá tudo que sempre quis, mesmo que estivesse ao alcance de suas mãos.
É irônico, como a história do Rei Midas. Ele somente percebeu o que desejava depois que obteve o que não precisava. Abençoado com o toque que transformava tudo em ouro, ele nunca mais poderia pegar uma maçã e mordê-la, pois ouro não é comestível, nunca mais poderia tocar uma bela donzela sem tê-la como uma bela estátua de ouro. Nunca mais poderia afagarseu cão sem perder o amigo e ter um belo artefato decorativo para a entrada da sua casa. De que adiantava ter uma coisa que tantas pessoas desejavam loucamente, ouro em abundância, se ele não podia desfrutar um simples prazer mortal como comer uma fruta ou acariciar um ente querido. No fim, ele ganhou algo que o fez perder tudo. É irônico, e muito.
Não é simplesmente um post sobre a ganância das pessoas, porque eu sei que muitos desejam ter uma vida confortável, poder dar às pessoas que amam algo melhor para viverem, um presente, um mimo, algo que elas queiram, algo que faça com que elas fiquem com uma face feliz e agradecida, algo importante. Às vezes, naturalmente, para quem não tem muito, essas coisas são materiais. Mas, elas não vão ser como alguém que sempre tem isso. Pessoas que sonharam muito com algo, que tiveram dificuldade para ter aquilo, valorizam mais o que adquirem ou ganham. Isso é uma coisa que eu aprendi com o meu pai há muito tempo.
Mas tem mais uma coisa que eu aprendi, e que muita gente não ousa querer saber, ou simplesmente acha irrelevante, mas é o que mais se levará dessa vida para seja lá o purgatório que for. A história da formiga, é algo que podemos ver, mas somente vamos conseguir ver se quisermos ver. Eu conheço uma pessoa que nunca andou de chinelos baratos de borracha, tipo uma havaianas ou algo do tipo, nunca na vida, que nunca na sua infância colocou os pés no chão, sentiu a grama, a terra, as pedrinhas, os espinhos pequenos e dolorosos de uma rosetta fincando na pele, nada. Isso, quando eu fiquei sabendo, me pareceu algo muito triste, e ela não entendeu porque... Ninguém entenderia.
É triste. Muito triste. Mas se eu fosse explicar porque, eu levaria dias, então eu vou simplesmente dizer em poucas palavras... É triste ser uma pessoa que não sentiu as coisas simples da vida, e quando essa pessoa se for, será triste saber que ela perdeu partes maravilhosas da vida, coisas que ela nunca vai poder ter de novo.
Hoje quando falamos sobre arte, pensamos que a pessoa tem que ter um alto grau de estudos, conhecer ene coisas e blablabla, e essa pessoa é considerada incrível em X coisas. Pra mim, se ela não entender algumas coisas simples, ela não passa de uma infeliz coitada. Eu tenho pena das pessoas que passaram a vida em uma faculdade de artes, como exemplo meramente ilustrativo que serve para qualquer das sete artes ou para qualquer área do conhecimento acadêmico, e que mesmo entendendo, por exemplo, tudo sobre a técnica de Monet, simplesmente não conseguem entender o que um quadro dele significa. Não conseguem sentir algo ao ver uma obra dessas. Não tentam entender os sentimentos do artista a cada pincelada, seja ela bonita ou feia, não tentam entender o que isso significa pra elas mesmas, não vêem em cada pincelada uma parte de si mesmas, uma memória boa ou ruim, uma imagem de algo que amam ou odeiam, ou um desconhecido caleidoscópio de novas ideias, um sentimento que não poderia ser explicado aqui, mas que eu sinto quanto a algumas artes, e busco nas outras.
Acho que eu postei aqui ou no outro blog uma vez sobre como conversei com um mendigo na frente da prefeitura de Caxias, e como o cara simplesmente me fascinou, porque ele conhecia Pink Floyd, mas mais que isso, ele sabia as notas que estava arranjando imaginariamente à mão, ele sabia o compasso da música, e ele tinha postura de violoncelista para arranjar aquele improviso. Apesar de seu idioma ser básico, de talvez ele não ter o primeiro grau completo na escola, ele é muito mais que muitos músicos que eu conheci até hoje.
Ninguém consegue entender o que eu sinto quando ouço uma música em um show. Não somente a música, porque não me adianta ver alguém fazendo uma performance magnífica, se ele não entende o que está fazendo. Eu digo show, no sentido de algo em que se vê alguém que realmente se importa com aquilo, que bebe cada palavra que está recitando, que pode talvez não entender o significado que aquilo teve para o autor original (embora raros entendam, o que é magnífico), mas quando estes artistas colocam no que fazem os seus sentimentos, quando o que eles vêem ao cantar uma letra é uma parte das suas vidas, ou o que sentem é parte do que aquelas palavras representaram na sua vida, por exemplo.
Eu fico triste quando vejo que as pessoas não se importam. Que não sentem nada, que não querem sentir, e que não entendem isso e simplesmente ignoram a importância que isso tem. Eu não consigo me sentir humana perto de uma coisa dessas, eu não consigo sentir que essa pessoa tenha uma alma, porque ela realmente parece completamente vazia, e talvez, eu esteja certa, e desde sempre, essa pessoa tenha sido vazia.
As pessoas de hoje acreditam que seu corpo se move a partir de comida light, exercícios idiotas monitorados por um medidor cardíaco comprado nos camelôs ou importado da conchinchina, que podem controlar a sua vida através de cálculos Maias que determinarão o fim do mundo, que devem ser bonitas e esquecem enquanto se preocupam com tantas trivialidades inúteis, de uma coisa que talvez seja mesmo como a Dalila me disse uma vez... A futilidade intelectual... Pode ser verdade, mas eu acho que mais que simplesmente uma futilidade intelectual, eu acredito em uma coisa que não existe mais nas pessoas. Acreditar, amar, pensar, criar, sentir, essas coisas são apenas verbos no nosso idioma, assim como são em outros. Poucas pessoas descobriram o que é isso de verdade.
Está tudo completamente errado, ou eu sou louca. Acreditar infinitamente em coisas que não passam de palavras mortas em um idioma, talvez tenha sido o que eu mais faça da minha vida durante todo esse tempo, porque a cada história que eu escrevo, cada personagem, eu sinto cada dor e amor que ele sentiu, eu sinto cada momento da existência dele dentro de mim, e é por isso que eu amo cada um deles. As vezes escrever baseado em sentimentos pode levar à insanidade, principalmente quando se está escrevendo sobre um louco, e eu acho que vivi um pouco disso, mas são coisas que me trazem a nostalgia de saber que eu fui de tudo um pouco, apesar de não ter sido nada disso tudo. Mas, uma pessoa que não consegue entender isso, não conseguiria entender a normalidade que há em toda essa loucura.
As vezes eu me vejo em um dilema entre a realidade e a minha própria literatura, e de certa forma ela é uma forma de eu ter o mundo que eu sonhava em viver. É uma fuga de todos os meus erros, mas uma fuga que não é perfeita, que é igualmente dolorosa, porém que é mais viva que a realidade em que os humanos vivem ao meu redor, e às vezes eu quase acredito que meus personagens são mais humanos que a própria humanidade de carne e osso. Existe uma diferença somente entre os dois... Os humanos de hoje são almas vazias, os meus personagens tem a minha alma e eu tenho a deles, eles tem uma coisa que os humanos não tem... Sentimentos.
E eu encontrei somente duas pessoas que entenderam isso nessa vida. Uma delas, um grande amigo, tem a idade do meu pai, e um espírito mais jovem que o do meu irmão, e é uma das pessoas que mais me deixou feliz na vida, porque foi o primeiro em sete anos, que conseguiu entender entre os meus personagens e o significado de tudo que ali havia, naquele meu primeiro livro, uma coisa, somente uma, que eu demorei três anos para perceber... Ele entendeu quem era o personagem principal do livro.
Parece idiota o que acabei de escrever, mas é uma evidência da decadência da capacidade humana de Ser Humano.
A segunda pessoa que entendeu o que eu estou tentando dizer aqui, foi um conhecido de alguns anos, um espírito que sofre com um problema similar ao meu, porque poucas pessoas conseguem entender os sentimentos que existem em cada coisa desse mundo, a começar por nós mesmos. E entre escalas de música, filosofia e algumas coisas que francamente eu não esperava ver nunca em uma alma humana, eu via as palavras que eu queria dizer, que eu nunca esperava que outra pessoa entenderia, sobre coisas simples dessa vida... Coisas que nenhuma pessoa com 22 anos ou com 30 ou com 50 tinha me dito antes, mas que de tão simplórias conseguiram desestabilizar a minha resignação quanto à impossibilidade de salvação da humanidade. Os sentimentos que as pessoas tem, ou que deveriam ter quando se tratava de coisas tão simples, estavam ali na minha frente, e eu creio que foi a primeira vez na vida que eu chorei de alegria. Eu já chorei de dor, de raiva, por flexionar excessivamente os músculos faciais em decorrência de gargalhadas, de remorso, por ene motivos enfim, mas nunca tinha chorado de alegria na minha vida, porque nunca tive uma alegria tão imponente a ponto de tocar o fundo dos meus sentimentos dessa forma tão simples e tão importante ao mesmo tempo.
Esse título de post poderia ser devido à cegueira das pessoas quanto ao mundo, poderia ser quanto ao fato de não verem as coisas importantes. Mas é uma cegueira mais especial a que eu estou falando, e não é a do meu pai, porque ele somente não consegue usar os olhos, mas ele enxerga com a mente de uma forma mais ampla que muitas pessoas.
E eu torno ao assunto inicial do post, que parecia tão banal, tão idiota. Pessoas da minha idade que eu conheço, e que às vezes me interessam. É triste pensar que apesar de existirem tantas pessoas que poderiam ser interessantes, eu simplesmente não estou com ninguém, e provavelmente não estarei nunca com ninguém.
Essa é uma das coisas que eu me obrigo a não admitir, por um orgulho idiota da minha posição de pessoa com bom gosto estético, uma futilidade que provavelmente remonta meus áureos tempos de patricinha desajustada.
Mas é uma das verdades para o qual eu sou cega, propositadamente, e há outras, outras verdades que eu sei sobre mim que eu finjo não ter visto, e para não mais ver eu furo meus próprios olhos, sinto a dor que isso causa, mas eu me nego a ver.
É cruel que eu faça isso, sabendo que eu teria outro caminho a seguir, porém, pra mim o outro caminho seria mais doloroso ainda.
Essa é uma verdade que várias pessoas no caminho da minha vida já me disseram. Já me disseram em um conceito espíritualista de alguma vertente que não recordo que minha alma é extremamente velha, já disseram que minha personalidade é psicológicamente velha, uma espécie de patologia, já me disseram isso de várias formas, mas eu sei o que é que se passa comigo de fato e não é tão complicado ao se fugir de termos técnicos e científicos ou paranormais e extraterrenos.
Eu tenho uma capacidade de arquivamento de conhecimentos e experiências grande demais. Não é que eu seja muito inteligente, pelo contrário, eu não passo de uma humana normal. Mas eu tenho uma capacidade de memorização de acontecimentos, coisas, sentimentos momentâneos tão fixa, que eu consigo analisá-los de forma detalhada, e quanto mais detalhista eu me torno nessa ação, mais eu desenvolvo pensamentos e experiências que de fato não tive, mas que mentalmente puderam ser analisadas de tal forma que poderia ser até praticamente tão realista quanto a vida real. É isso que acontece, e em decorrência desse fato, é difícil conversar com qualquer pessoa, é difícil entender qualquer pessoa, porque elas não desenvolvem esse tipo de capacidade de percepção. Não vou dizer que isso é incrível, porque eu preferia ser mais idiota, se em troca eu tivesse um lugar no mundo.
Então, meu ego tenta me impulsionar a encontrar alguém que faça a mesma coisa, que entenda as coisas com uma ótica similar, todo o tempo, sempre e sempre. uma persistência de que não me orgulho, porque acreditar em coisas que possivelmente não existam é triste. É como a busca pela pedra filosofal, que nunca resultou em algo palpável e real, como as lendas diziam, até onde eu saiba.
Eu não quero admitir que não consigo me ambientar entre pessoas da minha idade, não quero admitir que eu não faço parte desse mundo, meu ego não permitiria. É doloroso estar em um lugar que não lhe pertence, e tentar adaptar-se a ele, perdendo tantas coisas que deveriam ser aproveitadas como qualquer pessoa faria.
Mesmo assim, eu sei que é por isso que eu vou estar sempre sozinha, em uma busca sem fim, que não vai resultar em nada, e eu vou continuar. Eu sei, de acordo com o que já vivi e vi, com as conversas que tenho com as pessoas, que eu consigo manter uma conversa inteligente e não entediante por um longo tempo sem querer estrangular o interlocutor, se o diálogo for com uma pessoa que tenha cerca de 60 anos. Essa é em tese a idade da minha personalidade.
Essa não é uma teoria falha, eu acho que devo ter comentado. Mas assim como aquele que entendeu meu livro é visto por mim como um garoto de 15 anos apesar de ter a idade do meu pai, antes de ser apresentada a ele, devido a comentários sobre mim, meu livro, minhas rabugices e minhas lógicas um tanto retrógradas e conservadoras em alguns aspectos, entre outras coisas, quando estávamos conversando, ele comentou que desejava conhecer uma pessoa que comentaram ser interessante, e que ele imaginava como sendo uma senhora com seus 65 anos, seus cabelos brancos e óculos de meia lua ou algo assim. Ele estava se referindo a mim, e eu diria que foi embaraçoso explicar-lhe isso depois de seu relato.
Mas não é pelo simples fato de meu ego ser um tanto esteticista e fútil somente que eu não quero ter nenhum tipo de relacionamento, seja intelectual seja romântico, com uma pessoa de idade tão díspare da minha. É porque isso seria a coisa mais cruel do mundo para mim. Afinal, de que adianta ter um tempo feliz, com o encontro de respostas para a humanidade, com diálogos fascinantes, um tempo criativo e nada entediante, um tempo em que eu veria que não sou somente eu que sinto alguma coisa, que tenho uma alma... De que adianta tudo isso, se provavelmente essa pessoa, seja quem for, vai morrer. Morrer e me deixar sozinha de novo, pra sempre.
De que me adianta ter o paraíso para a minha paz mental e espiritual, talvez até um amor que seria duradouro, se eu vou perdê-lo antes mesmo de ver meus cabelos ficarem natural e lentamente prateados e branquearem. É somente um sofrimento a mais para a minha alma que já sente tantas dores perante a deterioração das pessoas que são importantes pra mim. É somente mais uma dor para levar, e esta seria uma dor que não teria nenhum tipo de consolo ou remédio.
Prefiro não ter o que posso perder. Isso é a minha resignação quanto à realidade, em que se eu abrir meus olhos serei cruel comigo mesma, e furando-os, cegando-me, eu serei simplesmente o que sou agora, incompleta. É o medo de perder, talvez... É meu ego que me trata como uma rainha que eu não sou dentro da minha mente, talvez... Mas eu prefiro não ter esse tipo de sentimento dentro de mim, porque somente a menção dele já é dolorosa.
É por isso que eu prefiro ser cega. Ser cega e crédula em algo que não existe. Buscar eternamente por algo que eu não vou conseguir. Buscar por alguém que não morra e me deixe, mas, saber que nunca vou encontrar. Saber que quando eu estiver velha e sozinha, eu vou estar mais distante ainda do restante da humanidade, saber que nesse momento, provavelmente a minha mente vai estar com praticamente quatrocentos anos, e que ninguém poderá me entender, ser tão somente, aos olhos alheios, uma velhinha caduca há muito tempo...
E saber que enquanto a juventude passa eu estou sendo apenas uma pessoa cruel e tão sem alma quanto as pessoas que eu detesto, porque eu estou dando esperanças para pessoas que talvez gostem de mim, mas que vão porventura desistir, ou vão ter seus sentimentos estilhaçados, e eu vou continuar com isso eternamente, sem nunca encontrar o que eu busco.
As pessoas buscam pela fonte da juventude como uma lenda desde remotos tempos... Mas ironicamente, para mim talvez fosse mais lógico procurar pela fonte do envelhecimento.
E mesmo que tentem me convencer do contrário... Existe somente uma coisa que não muda nisso tudo, eu acredito. Eu acredito em papai noel, em coelhinho da páscoa, e eu acredito no dito impossível. Afinal, eu sou cega, e não vejo o IM na frente da palavra POSSÌVEL, então para mim, é assim...
Eu sou cega, e essa é a minha escolha. Prefiro não ver, e não sofrer com as possibilidades de um caminho dourado que irá terminar antes do que eu gostaria.
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